Com o surgimento e a rápida expansão das redes sociais nos últimos anos, seria de esperar que os habituais bloggers se retraíssem e cedessem à tentação de se aventurar por outros caminhos. A verdade é que, e embora isso tenha de facto acontecido, o blogger não está em vias de extinção e a actividade mantém-se. De acordo com o relatório State of the Blogosphere 2010 pela Technorati, o sexto relatório anual desde 2004 que tem vindo a acompanhar a evolução e tendências desde então, a convergência da blogosfera com as redes sociais tem sido, obviamente, notória.

A partilha de conteúdos de blogs através das redes sociais sobe para o primeiro lugar da tabela quando se trata de perceber qual a forma privilegiada para divulgação de conteúdos, quer pelo próprio quer pelos leitores. Por outro lado, o crescimento significativo do mobile blogging recorrendo a smartphones ou outros dispositivos móveis veio colocar esta categoria a rondar os 25% do total de utilizadores que publicam, agora, de forma mais directa, curta e espontânea.

Uma das conclusões que mais me surpreendeu, embora já desconfiasse, foi o facto da grande maioria dos inquiridos considerar que os bloggers são vistos como menos importantes em relação aos media tradicionais, pelos próprios profissionais de marketing/comunicação. E a questão é: serão mesmo? Em Portugal, a relação do cidadão comum com os media tradicionais, principalmente imprensa escrita, tem vindo a esmorecer (arrisco-me a dizer, morrer) de ano para ano. Em contrapartida, a sua presença (dos portugueses e dos media) nas redes sociais é cada vez mais expressiva. Não estaremos a negligenciar os bloggers enquanto elementos cruciais para a criação de valor em torno de uma marca? Eu penso que sim. Se tivermos em consideração os dados que nos dizem que a grande maioria dos bloggers escreve acerca das marcas que gosta (ou não), tecendo-lhes críticas (umas melhores que outras) o argumento torna-se bem mais forte. 

E, para finalizar, se quisermos acrescentar o facto da confiança dos consumidores relativamente aos media tradicionais ter decrescido nos últimos 5 anos e da crença em relação aos blogs enquanto fontes fidedignas de informação ter aumentado bastante, teremos, então, fortes motivos para rever as nossas estratégias de comunicação na Web 2.0.

Núria R. Pinto

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