Archives for posts with tag: crise

crise

Tal como em qualquer canal, a gestão de uma crise estará tanto mais facilitada quanto mais preparados estiverem as equipas, os cenários e as ferramentas de comunicação. A diferença no ambiente online tem sobretudo a ver com a rapidez e escalabilidade, o que torna as crises online mais passíveis de gerar danos reputacionais profundos.

Este é um território particularmente sensível para a Indústria Farmacêutica, tendo em conta que, por norma, encontramos estruturas organizacionais pesadas, pouco articuladas entre si, com circuitos de decisão complexos e processos morosos de aprovação de mensagens. Este é, desde logo, um desafio para o responsável de marketing digital na Indústria Farmacêutica. Para preparar de forma completa a equipa para uma potencial crise, sugiro uma estratégia desenvolvida em 6 fases:

1. Identificar – identificar possíveis cenários de crise de forma abrangente. Qualquer incidente que possa afetar a organização deverá estar devidamente mapeado. De igual forma, as pessoas mais habilitadas para reagir face a cada um destes cenários deverão estar também identificadas.

2. Planear – com base nesta identificação de cenários, é necessário traçar planos de ação que enderecem cada um deles. Estes planos incluem ações offline (contactos com autoridades, reuniões de comité de crise, etc.) e online (recolha de informação, reação nos canais próprios, lançamento de dark sites, etc.). Esta reflexão deve dar origem a ferramentas de comunicação que ficarão pré-definidas e preparadas para entrar em ação em cenário de crise.

3. Treinar/ simular – de nada serve ter um Plano estruturado sem o testar na prática procurando levar as pessoas a situações próximas do real onde se testam reações e procedimentos. Esta simulação pretende testar a eficácia do Plano, das ferramentas de comunicação e a capacidade de organização da equipa.

4. Monitorizar – se não queremos que o mundo da informação nos passe ao lado, tem que ser criado um sistema de monitorização de conteúdos na Web que permita detetar focos de crise e endereçá-los imediatamente. Mais uma vez, atenção à rapidez e escalabilidade de uma crise online!

5. Avaliar – tanto os processos de simulação como de monitorização têm implícita a componente de avaliação dos Planos desenvolvidos.

6. Reajustar – bons processos de avaliação devem dar indicações de reajuste ao Plano inicialmente traçado.

Este texto faz parte de uma série de 5 artigos sobre o presente e o futuro do marketing digital na indústria farmacêutica em Portugal. Parte destes conteúdos estão disponíveis também na revista Marketing Farmacêutico nº 65 (março/abril 2013). 

Anúncios

Depois de muito se ter escrito sobre os limites à liberdade de expressão dos atletas olímpicos nas Redes Sociais, eis que surge a primeira “vítima” de um post no Twitter. A atleta grega Paraskevi Papahristou foi expulsa do comité olímpico do seu país depois de um comentário racista publicado nesta rede. Toda a história aqui.

Para além de competências técnicas e estratégias, a gestão de comunicação em saúde exige um conjunto de soft skills que, antes de mais, começam com uma dose generosa de bom senso. Tal não parece ter acontecido na mais recente campanha da Crioestaminal e as reações não se fizeram esperar no próprio canal de Facebook da empresa

 

Recuperando um post recente sobre a utilização de tablet pcs, ontem foi noticiado que o novo iPad 2 esgotou em Portugal no dia em que foi posto à venda, em alguns casos, em meia hora. É fascinante ver a curiosidade e paixão que os dispositivos da Apple despertam não só nas camadas mais jovens da população mas também em faixas etárias bastante mais maduras. Boys will be boys.

É também interessante ver estas notícias nos media nacionais cercadas de temas como a demissão do governo, a crise política, a crise social, o desemprego, a falência do Estado Social, o encerramento de instituições de saúde e ensino, a crise na justiça, a avaliação dos professores, a geração à rasca, o PEC, o FMI, as greves dos transportes e das transportadoras, os aumentos do combustível… “Abençoada” Apple que, pela alegria que traz aos portugueses, devia ser taxada com IVA a 6%, qual Prozac multimedia.

Para quem quer desenvolver competências na área digital, ou simplesmente ter uma experiência num contexto profissional e social diferente, fica aqui a nossa sugestão: comece por dar uma vista de olhos aos anuncios de emprego do Brand Republic. Da forma como as coisas estão por cá, se ficar lá fora durante dois ou três anos não deve perder nada digno de nota… Mais ou menos o equivalente a perder uns episódios de uma qualquer novela da TVI.

Se houve algo que as redes sociais e a web 2.0 vieram reforçar foi a noção de liberdade de expressão, o impacto cada vez mais abrangente das mensagens que transmitimos e essa tremenda capacidade de as veicularmos em massa. Contudo, nem tudo são rosas e, em pleno séc. XXI, assistimos ainda a ofensas gravíssimas à liberdade de expressão: se ontem se riscavam folhas de papel hoje bloqueiam-se os acessos à rede.

Neste sentido, é de louvar a ação conjunta do Twitter e do Google ao desenvolverem uma ferramenta que permite aos cidadãos egípcios twittar apesar do bloqueio de acesso à rede por parte das autoridades.

“A empresa (Google) colocou à disposição três telefones internacionais nos quais os utilizadores podem deixar uma mensagem de voz que o serviço twitta instantaneamente com a tag #egypt. Estiveram envolvidos neste projeto um grupo de engenheiros do Twitter e do SayNow, sendo que a Google trabalhou neste projeto durante todo o fim de semana.

Com este sistema, os interessados podem ouvir as mensagens de voz deixadas utilizando os mesmos números de telefone disponibilizados ou podem visitar a página twitter.com/speak2tweet.” refere a Folha de S. Paulo.

Não percebo onde estavam as autoridades egípcias com a cabeça quando resolveram meter o pé na argola desta forma. Se tiveram que bloquear o acesso ao Facebook, Twitter e afins, e já sabiam do poder que possuem na sociedade atual, então deveriam saber que esta seria, de entre todas as opções, a última a considerar.

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

Núria R. Pinto